segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Especial: Terror, Um Gênero Ignorado Pela Academia



Os clássicos de antigamente e os de hoje, aqueles mesmo que nos fazem pular, sentir emoção pura, apreensão, fobia e diversos sentimentos mistos...Sim, terror é um gênero que através dos anos mostrou para as pessoas que o medo pode muito bem ser condicionado nas telonas. Quem se lembra de ter assistido O Exorcista nos anos 70 sabe o quanto o filme foi aclamado pela crítica e o quão grande foi seu impacto na indústria cinematográfica da época. E os sucessos foram crescendo na mesma década, com Michael Mayers em "Halloween", Thomas Hewitt em "O Massacre da Serra Elétrica",o surgimento da lenda Jason Voorhees em "Sexta-Feira 13" e Freddy Krueger em "A Hora do Pesadelo". Hoje em dia, o terror continua em grande vigor nas telonas, representados pelas franquias de "Atividade Paranormal" e produções da Warner Bros, como "Annabelle", "Invocação do Mal" (que ganha sequência em Junho deste ano) e o pequeno estreante de Julho passado "A Forca".


Mas estamos para falar de uma instituição não muito liberal, um exemplo disso é o preconceito perceptível em relação a atores negros ou estrangeiros e até mesmo, com mulheres (destaque para a edição deste ano em que apenas 20% dos indicados são mulheres e a completa ausência de indicados negros, que foram fatores extremamente mal vistos). Durante alguns anos, a Academia simplesmente ignorou produções do terror por que relativamente falando, é um gênero em que os filmes geralmente são de baixo orçamento e não são produções repletas de efeitos CGI ou atuações impecáveis, mas talvez o verdadeiro motivo disso tudo é porque o gênero do terror foi tão bem explorado no passado que ideias originais e histórias bem contadas (que são alguns fatores que contam para a Academia), já são bem raras de se ver. Grande parte dos espectadores do gênero não são fanáticos, mas sim pessoas que estão a procura de um filme realmente assustador e que dê muitos sustos, mas esse não é o tema procurado pela Academia, que prioriza um bom roteiro e boas atuações.


Podemos citar alguns sucessos do terror que garantiram lugar no Oscar: "O Exorcista (1973)", "O Bebê de Rosemary (1968)", "Um Lobisomem Americano em Londres (1981)", "Tubarão (1975)", "O Silêncio dos Inocentes (1991)" e alguns outros, mas também podemos citar alguns sucessos que não foram nem indicados, como: "Psicose (1960)" e "O Iluminado (1980)", que marcaram as carreiras de Anthony Perkins e Jack Nicholson. Estes sucessos, infelizmente não são vistos mais hoje, pois terror é visto de maneira superficial, em que o filme não precisa ter um ponto de vista, apenas dar medo. Muitos elogios foram para "A Bruxa" que chegará aos cinemas do Brasil em Março, um filme com uma excelente história, elogios da crítica e seria sem dúvida um excepcional indicado para a estatueta, mas infelizmente não será tão valorizado pelo público, que como dito acima, verá apenas o ponto de tomar sustos e não analisará mais de perto o que o filme realmente representa.  


Recentemente a indústria do gênero tentou criar novos sucessos, com falhas estrondosamente grandes, como "Amizade Desfeita", que se passa em uma tela de computador, sem história, sem atuação, nem mesmo possui o fator do susto, ridículo. Podemos citar também alguns remakes, como o de 2005 de Horror em Amityville, com Ryan Reynolds, que não foi de longe melhor que o original. Como dito, não fazem filmes de terror como antigamente, não sucessos, mas boas produções, como "Os Outros", com Nicole Kidman ou "Jogos Mortais", que colocou James Wan no mapa. Talvez não seja culpa da Academia a falta de indicados do gênero, mas sim da falta de produções originais e de um público um pouco mais crítico. 



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